Eu costumava saber os seus maiores segredos, seus medos e o que te fazia rir. Costumava saber traduzir as mil palavras que significavam teu olhar. Era eu que achava graça das bobagens sem nexo que você dizia. Fui eu que deixei você chorar no meu ombro, quando você resolveu finalmente admitir que tudo não estava às mil maravilhas. E não tem essa de que o que eu deveria ter feito era nem ter deixado suas lágrimas caírem. Chorar é bom, acredite. Faz uma limpeza aqui dentro, bota pra fora a tristeza acumulada. Era pra mim as mensagens com piadinhas ou coisas do seu dia. Eu estava lá nos momentos que te arrancaram sorrisos também. Eu te entendia. Você nem me entendia tanto assim, mas não faz mal. A gente se dava tão bem. Tardes silenciosas de Domingo eram passadas compartilhando o nada pra fazer. Até o nosso silêncio era confortável, pra você ver o nível de intimidade. Éramos carne e unha, a azeitona da empada, a letra da música um do outro. Quem diria não é? Ninguém. Era difícil de imaginar, não passava pela cabeça de ninguém. Muito menos pela minha. Pela sua, talvez. Era mesmo difícil. E é mais difícil agora ter que ver sua vida passando de longe. Ver a sua vida por fotos. Fotos, claro, em que eu não estou. Fotos que poderiam ser comigo, sorrindo ao seu lado, com aquelas legendas clichês, frases feitas e músicas que todo mundo coloca - eu não me importaria. Pelo menos eu estaria ali. Sabendo seus segredos, como um dia eu já soube. Sabendo suas histórias, como um dia eu também já soube. Ouvindo suas risadas, como sempre ouvi. Sua voz rápida, que às vezes não dá pra entender nada. As palhaçadas que você fala com cara séria. E o seu número fica ali na lista de contatos. Só esperando por um descuido meu, um escape do meu orgulho. Só esperando eu baixar a guarda, mesmo depois de tudo que aconteceu. Mas eu nem sei o que falaria. A vida nos distanciou, nos deixou sem assunto algum. Não vou falar um 'oi, tudo bem?' para alguém que já falei 'eu te amo' sem nem precisar de palavras. Mas já chega de falar de você. Só me resta seguir com a vida. Vida que eu já compartilhei com você. Agora nem te conheço mais.




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